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sexta-feira, 25 de maio de 2012


Chocolate
Do cacau até você


O sabor exclusivo do chocolate delicia pessoas do mundo todo. Qual é a origem do chocolate? Como é produzido? Vamos conhecer melhor sua história.


BOTÂNICOS acreditam que o cacaueiro silvestre seja originário das bacias do Amazonas e do Orinoco, na América do Sul, onde crescia há milhares de anos. Supõe-se que os maias tenham sido os primeiros a cultivar o cacau, levando-o consigo ao emigrarem para Yucatán. A realeza asteca se deliciava com a bebida de chocolate amargo — uma poção feita de sementes de cacau trituradas com milho fermentado, ou vinho, e servido em taças de ouro descartáveis. Consta que o imperador asteca Montezuma tomava mais de 50 taças de chocolate por dia!
O conquistador espanhol Hernán Cortés (1485-1547) estava mais interessado nas taças de ouro do que no líquido que continham, mas não deixou de observar que os astecas usavam as sementes do cacau como moeda. Mais do que depressa introduziu a cultura do cacau, o “ouro marrom”, que foi muito rendosa. Assim, a Espanha basicamente controlou o mercado cacaueiro até o século 18.
Com o passar do tempo, os espanhóis levaram o cacau para o Haiti, para Trinidad e para a ilha de Bioko, na África Ocidental. De Bioko, um fruto do cacau foi levado para o continente africano. Hoje há quatro países que são grandes produtores de cacau na África Ocidental.



Chocolate na Europa

No século 16, Cortés apresentou a bebida de chocolate asteca à corte espanhola. As damas da realeza bebiam secretamente, a goles pequenos, a bebida aromatizada com especiarias e às vezes apimentada. Com o tempo ela foi introduzida na aristocracia européia.
Os europeus ficaram encantados com o chocolate — tanto pelo sabor como pelas supostas propriedades curativas. Foi tão bem aceito que em 1763, os cervejeiros da Grã-Bretanha, sentindo-se ameaçados, pediram que se criassem leis para controlar sua fabricação. A concorrência entre os chocolateiros era tão acirrada que alguns acrescentavam amido para fazer o produto final render mais. Os ingleses, para dar mais cor ao chocolate, chegavam a adicionar até um pouco de tijolo em pó! E assim crescia a demanda por um chocolate de melhor qualidade e mais saboroso.
A partir da Revolução Industrial, a fabricação do chocolate começou a ser mecanizada. Com o aparecimento das moendas de cacau movidas a vapor, o cacau deixou de ser moído a mão. Em 1828, o chocolate passou por uma mudança ainda maior quando o químico holandês Coenraad van Houten descobriu como extrair o cacau em pó e a manteiga de cacau da massa de sementes de cacau moído. Isso levou inovadores a criarem a receita com medidas exatas de licor de cacau (pasta escura e espessa), manteiga de cacau e açúcar para produzir o chocolate em barra.
A partir de 1850, os suíços desenvolveram um processo que refinaria ainda mais o chocolate — o processo de revolvimento em que a massa de sementes de cacau passa por muitas horas entre rolos cilíndricos de porcelana, produzindo um chocolate sedoso que simplesmente derrete na boca. Segundo os connoisseurs(especialistas), chocolates de primeira qualidade são revolvidos por nada menos do que 72 horas!
Muitos empresários inteligentes como Hershey, Kohler, Lindt, Nestlé, Peter, Suchard e Tobler — nomes que hoje você vê impressos em caixas de bombons de chocolate — contribuíram muito para a indústria chocolateira, tanto com maquinário mais eficaz quanto com receitas de chocolate mais aprimoradas.

A origem do chocolate

A lavoura cacaueira consiste no plantio de cacaueiros tropicais em condições adequadas. A melhor condição varia entre 20 graus para o norte ou para o sul do equador. Vicejam na sombra e no clima úmido, dando flores e frutos o ano todo. O fruto ameloado nasce diretamente no tronco e nos ramos inferiores.
Como é feita a colheita nas plantações de cacau? Os frutos são colhidos maduros usando-se machetes ou varas de bambu com lâmina afiada na ponta. Os frutos são abertos e no interior há entre 20 e 50 sementes envoltas numa polpa branca meio-amarga. Os trabalhadores extraem as sementes manualmente, em geral desde a madrugada até o escurecer. Depois as sementes são cobertas. Passados alguns dias, a polpa fermenta e reações químicas fazem as sementes virar marrom-chocolate. O próximo passo é a secagem das sementes, quer expostas ao sol quente, quer com secadores mecânicos para se conservarem melhor na exportação ou no armazenamento.
Basicamente há duas espécies de semente de cacau: o forasteiro e o crioulo. O forasteiro é o cacau comum na lavoura cacaueira mundial. Os principais produtores são a África Ocidental, o Brasil e o Sudeste Asiático. O crioulo é o cacau aromatizante que dá um sabor de nozes ou floral ao chocolate. Ele é cultivado em escala bem menor e os produtores são a América Central, o Equador e a Venezuela.
Depois da secagem, as sementes de cacau são ensacadas e despachadas para fabricantes de chocolate no mundo todo, principalmente na Europa e na América do Norte. Dois punhados de sementes secas de cacau são suficientes para se produzir quase meio quilo de chocolate. É difícil imaginar como essas sementes amargas podem ser transformadas em bombons e confeitos de chocolate tão delicados, dispostos numa caixa; mas o processo não mudou muito em todos esses séculos.



Fabricação do chocolate

Quando as sementes chegam à fábrica, são limpas e classificadas. Depois, assim como os grãos de café, são torradas para realçar o sabor e desprender todo o aroma característico do chocolate. A seguir as sementes são descascadas e as amêndoas marrom-escuras no interior são usadas como a base do cacau em pó e do chocolate.
A trituração das amêndoas resulta numa pasta espessa marrom-escura, chamada licor de cacau. Uma vez endurecido, ele é vendido como barras de chocolate para cobertura. Para extrair a manteiga de cacau, o licor de cacau é submetido a alta pressão, processo inventado por van Houten, disso restando uma massa que é transformada em cacau em pó. Ao se acrescentar mais manteiga de cacau ao licor, a mistura deliciosa está quase no ponto de se tornar o chocolate que comemos na forma de barra ou de confeitos. Depois de passar por processos de revolvimento e outros de refinamento, finalmente temos o tipo de chocolate apreciado pelos consumidores hoje.




Na próxima vez que você estiver se deliciando com o sabor marcante do chocolate, pense um pouco sobre a longa trajetória do cacau, desde a semente amarga, que cresce nos trópicos, até esse tablete ou bombom apetitoso que está na sua frente.


Fonte: revista Despertai







quinta-feira, 24 de maio de 2012



Venha conhecer umafeira africana
UMA das melhores maneiras de explorar a cultura, os costumes e a culinária de um país é visitar uma feira. Ali você pode observar as pessoas locais, saborear sua comida e comprar seus produtos. Também pode conhecer comerciantes interessantes que fazem de tudo para se comunicar com você, não importa seu idioma. Seria difícil encontrar feiras mais fascinantes do que as da África. Elas são repletas de pessoas e produtos de todo tipo imaginável. Ali você pode sentir a energia e a agitação da África. Vamos visitar uma típica feira em Duala, Camarões.
O jeito africano de ir à feira
Em muitas cidades grandes na África, o modo mais barato e rápido de ir à feira é de motocicleta. Em quase toda esquina, motociclistas oferecem seus serviços. Se tiver coragem, você pode pegar um desses táxis de duas rodas. Em Camarões, o preço e a velocidade fazem desse meio de transporte popular uma opção imbatível. Para os menos aventureiros, também há muitos táxis mais convencionais. É comum ver vários passageiros num mesmo veículo para dividir o valor da viagem.
Centenas de barracas
Quando alguém visita uma feira pela primeira vez, fica impressionado com a vasta quantidade de pessoas e barracas nas ruas. Muitas pessoas, incluindo crianças, carregam mercadorias na cabeça. Uma olhada mais de perto revela que em suas cestas há, dentre outras coisas, galinhas vivas, laranjas descascadas e remédios sortidos.
As centenas de barracas estão repletas de hortaliças como repolho, cenoura, pepino, berinjela, abóbora, vagem, batata-doce, tomate, inhame e vários tipos de alface. Turistas de outros continentes talvez não conheçam todos os produtos, visto que alguns dos itens mais consumidos localmente não são comuns fora da África. Talvez as barracas mais coloridas sejam as que vendem pimentões vermelhos e amarelos, tão frescos que reluzem ao sol da manhã. Muitas barracas vendem abacate, banana, toranja, melão, abacaxi, laranja e limão. Eles parecem muito apetitosos, e o preço é tentador! Inhame, mandioca e arroz — os principais produtos locais — também são bem representados, bem como cebola e alho importados.
Pimentas coloridas
Em uma das feiras de Duala, muitos donos de barracas pertencem aos povos hauçá e fula. Esses comerciantes se destacam por seus típicos trajes longos de cor azul, branca e amarela, chamados gandouras ou boubous, e por causa de seu cumprimento amigável no idioma fulfulde. Um ambiente descontraído é característico das feiras. Nessa visita que fiz, um feirante chamado Ibrahim escolheu três cebolas grandes e as deu de presente para mim. “Diga à sua esposa para recheá-las com arroz temperado e cozinhá-las lentamente”, recomendou ele. Um pouco mais adiante, vende-se carne de animais recém-abatidos, principalmente de vaca e de cabrito. Homens fortes carregam enormes carcaças nos ombros e as colocam em mesas. Os açougueiros, manuseando facões com destreza, convidam fregueses para escolher o tipo de corte desejado. Os que preferem abater eles mesmos o animal podem comprar cabritos, galinhas e porcos vivos.
Venha comer na feira
Não dá para imaginar uma feira sem um lugar para comer. Em Camarões, há barracas que vendem comida como se fossem restaurantes. Algumas delas usam música alta para atrair fregueses, mas também há lugares quietos onde se pode pedir um prato típico da África e conhecer as pessoas locais. O cardápio costuma ficar escrito num quadro-negro, e quem não está familiarizado com os pratos locais talvez precise que alguém os explique.
Dois itens básicos são arroz e fufu (um purê feito de mandioca, banana-da-terra ou inhame). Nessas barracas você também encontra grelhados de frango, peixe e carne de vaca servidos com molhos feitos de quiabo, creme de amendoim ou tomate. O ambiente é tranquilo e há ampla oportunidade para conversas. Duas garçonetes vieram nos atender. Uma delas trouxe uma bandeja grande com pratos de metal cheios de arroz, feijão e fufu bem quentes. Esses alimentos básicos são servidos com um molho de quiabo e guarnecidos comkebabs de carne e peixe. Há também um pote pequeno com molho de pimenta vermelha picante para aqueles que gostam de comida apimentada. A segunda garçonete trouxe uma toalha e uma bacia com água para lavarmos as mãos. Isso é necessário, pois os pratos típicos são tradicionalmente comidos sem talheres. Não é incomum um freguês fazer uma oração antes de comer e daí ouvir as pessoas na mesa ao lado dizer “Amém”.


terça-feira, 22 de maio de 2012


Atenas: passado glorioso e futuro incerto

O AVIÃO se prepara para aterrissar no Aeroporto Internacional de Atenas. Depois de dois anos fora, volto para o lugar que considerei a minha terra por duas décadas. Aprendi dos livros de História que a cidade logo abaixo é amplamente reconhecida como o berço da democracia.
Já em terra observo que, História, arte e monumentos à parte, a famosa capital da Grécia é uma cidade populosa, dinâmica e otimista. Noto também que os habitantes amigáveis e sorridentes trabalham arduamente para melhorar a infra-estrutura de sua cidade — especialmente devido aos preparativos para sediar as Olimpíadas de 2004.

Passado glorioso
Atenas foi fundada no século 20 antes de Cristo e recebeu esse nome em homenagem à deusa grega Atena. Aqui, ainda hoje se pode caminhar pelas mesmas ruas em que Sócrates andou, visitar a escola onde Aristóteles lecionou, ou então assistir a uma tragédia ou comédia de cunho filosófico no mesmíssimo palco em que Sófocles e Aristófanes dirigiam suas peças.
Atenas foi uma das primeiras cidades-estados gregas e teve seus dias de glória na chamada idade do ouro, no quinto século AEC. Na época, a democrática Atenas desempenhou um papel importante nas vitórias gregas sobre a Pérsia e tornou-se o centro literário e artístico da Grécia. Vários de seus monumentos arquitetônicos também foram erigidos por volta desse tempo — o magnífico Partenon sendo o mais conhecido.
Embora os atenienses conseguissem escapar do jugo persa, mais tarde caíram diante dos ataques de um antigo inimigo próximo de casa — Esparta. Nos séculos que se seguiram, Atenas foi uma cidade subjugada, dominada sucessivamente por Macedônia, por Roma, pelos imperadores bizantinos em Constantinopla, pelos duques francos nas Cruzadas e pelos turcos. Quando os gregos ganharam a independência em 1829, Atenas tinha decaído a uma pequena cidade de província, com apenas uns poucos milhares de habitantes.

Realidades modernas
A partir de 1834, quando Atenas tornou-se a capital da Grécia, a cidade teve um crescimento rápido. Hoje, ela abrange uns 450 quilômetros quadrados, espalhando-se sobre a planície da Ática. Alguns bairros ficam bem distantes, junto às encostas dos montes Parnes, Pendelikón e Hymettus. A metrópole abriga mais de 4 milhões e meio de habitantes — quase 45% da população da Grécia. Ela foi construída a bem dizer sem planejamento nem regulamentação. Segundo certa estimativa, mais de um terço das casas foram construídas ilegalmente, e hoje apenas uma pequena parte de Atenas não está coberta de concreto.
Atualmente a arquitetura da região circunvizinha é caracterizada principalmente por edifícios de concreto armado semelhantes a caixas. A cidade parece espraiada ao sol, com uma coluna antiga cá e acolá, coberta de precipitação cinza das indústrias e do escapamento dos veículos.
Como muitas outras metrópoles modernas, Atenas sofre com o smog, (Smog designa, em termos genéricos, nevoeiro contaminado por fumaças. O termo resulta da junção das palavras da língua inglesa"smoke" (fumaça) e "fog" (nevoeiro)) chamado de nefos pelos atenienses. Ele se forma a alguns metros acima da profusão de antenas de televisão. O smog está corroendo os monumentos antigos tão rapidamente que os arqueólogos já pensaram em construir uma bolha de vidro em torno da Acrópole. São comuns os alertas de poluição. Quando as condições meteorológicas encerram o smog nas montanhas ao redor de Atenas, o nefos pode ser mortífero para os seres humanos. Nos dias em que isso acontece, os carros particulares são proibidos de circular no centro da cidade, as fábricas diminuem o consumo de combustível, os idosos são aconselhados a não sair de casa e solicita-se aos atenienses que não saiam de carro.
Nos fins de semana ocorre um êxodo geral. “Pegue o seu carro e saia da cidade”, diz Vassilis, um antigo morador, enquanto saboreia o seu baklava (doce de nozes trituradas e mel) com café amargo numa lanchonete. “Em algumas horas estará nas montanhas ou na praia.” O que ele quer dizer é que você pode pegar o carro e passar algumas horinhas no trânsito supercongestionado para chegar mais perto da natureza.
Operação de limpeza e organização
Mas Atenas anuncia levar a sério a operação de limpeza e tem um registro convincente para provar isso. Por exemplo, um grande setor do centro comercial é fechado ao trânsito. Antes disso, essas ruas do comércio figuravam entre as mais congestionadas. A velocidade média dos carros era de cinco quilômetros por hora, a mesma de um transeunte sem pressa. Hoje, árvores plantadas nas jardineiras substituíram o trânsito congestionado, e ouve-se o canto dos pássaros em vez do barulho dos motores e o ronco das motocicletas. A cidade até desafiou o estilo de vida tradicional do Mediterrâneo, pedindo aos trabalhadores que deixassem de ir para casa para fazer a sesta — hábito que acrescentava duas horas ao horário do rush.

O fato de Atenas sediar as Olimpíadas de 2004 gerou uma febre de atividades e desenvolvimento sem precedentes. Em toda parte máquinas iniciam escavações para melhorar a infra-estrutura e construir estradas e locais para os jogos. Uma nova extensão de metrô, de 18 quilômetros, está quase pronta. Se tudo correr conforme programado, em março de 2001 o primeiro avião aterrissará no novo aeroporto internacional de Atenas, que já foi chamado de o mais moderno da Europa.
Ademais, até 2001, 72 quilômetros de novas rodovias estarão prontas. Elas desviarão o trânsito do centro de Atenas, incentivando o uso de transportes públicos. Espera-se que isso reduza o número de carros circulando pelo centro em mais de 250.000 por dia, diminuindo a poluição atmosférica em 35%. O novo programa de tratamento biológico da água servida na grande Atenas promete melhorar o ambiente marítimo em torno da capital. A meta ambiciosa é, dentro de alguns anos, transformar Atenas numa nova cidade, com um sistema de transporte aprimorado, com mais verde e um ambiente mais limpo.

Um cantinho da Atenas antiga
Para muitos, apesar dos novos edifícios de escritórios, alamedas e fontes reformadas, lojas chiques e ruas movimentadas, Atenas sempre será uma aldeia — mais espontânea do que disciplinada, mais fragmentada do que organizada. O lado provinciano de Atenas transparece nas partes da cidade onde as casas ainda têm cobertura de telhas e sacadas com grades de ferro e potes de gerânios.
Para ver esse lado de Atenas, visito Plaka, o lugar mais antigo da cidade, aninhado nas encostas do norte da Acrópole. Ali encontro vielas sinuosas, casas envergadas, botecos, cães e gatos sem dono, tabernas e carrinhos de vendedores ambulantes. O local conserva o clima barulhento e festivo do passado, atraindo turistas. Nas calçadas há fileiras de mesas, não raro com uma perna mais curta, rodeadas de banquinhos. Os garçons, com os cardápios abertos, tentam atrair os clientes.
O barulho das motocicletas abafa a melodia do homem que toca realejo na rua. Há bolsas de couro recém-curtido penduradas em frente às lojas de suvenires. Peças de xadrez modeladas segundo a imagem de deuses gregos perfilam-se em formação de batalha, marionetes dançam músicas folclóricas e moinhos de cerâmica giram ao vento. É evidente que esse cantinho da cidade resiste ferrenhamente a quaisquer tentativas de modernização.

Vistas e sons da vida noturna
Uma visita a Atenas nunca seria completa sem uma amostra da riqueza cultural da cidade. Hoje à noite, decido assistir com minha esposa a uma sinfonia no anfiteatro restaurado de Herodes, localizado na encosta sul da Acrópole. O acesso de pedestres ao teatro é uma passagem com iluminação suave, debaixo de silhuetas escuras de pinheiros. A fachada iluminada de pedras de ocra constitui uma vista impressionante por entre as árvores. Visto que adquirimos entradas para os assentos superiores, subimos pela escadaria de mármore e entramos no anfiteatro pelo portal romano.
Pausamos um minuto para apreciar o clima — um céu negro-aveludado, a lua quase cheia por trás de tênues tufos de nuvens, e holofotes que transformam o interior do semicone num cenário deslumbrante. Centenas de pessoas — que parecem pequeninas e bem distantes na vastidão do teatro, com capacidade para 5.000 pessoas — se locomovem nas fileiras concêntricas de mármore branco para encontrar seus lugares. Os assentos de mármore estão ainda aquecidos pelo sol — os mesmos assentos que ecoaram os dramas, as músicas, os risos e os aplausos por milênios.
Também não se pode deixar de mencionar os vários museus da cidade. O que mais se destaca é o Museu Nacional Arqueológico, com seu impressionante acervo da arte grega ao longo dos séculos. Outros museus que vale a pena visitar são o Museu de Arte Cicládica e o Museu Bizantino. Desde 1991 o Salão de Concertos de Mégaron de Atenas — um majestoso prédio de mármore com acústica excepcional — tem oferecido espetáculos de ópera, balé e música clássica o ano todo. E, naturalmente, poderá apreciar a música folclórica grega em muitas tavernas tradicionais.

Você é bem-vindo!
Apesar da aguda crise financeira da Grécia, Atenas continua sendo uma excepcional dica de passeio. A Atenas moderna, com um passado glorioso, se confronta com as pressões de um futuro incerto. Mas os seus habitantes aprenderam a se ajustar às mudanças, com bom humor, criatividade e filotimo — literalmente, amor à auto-estima. Para a maioria dos turistas, Atenas será sempre uma cidade fascinante, com riquíssima cultura.

Fonte: Revista Despertai